Ao infinito e Orlando
- 4 de abr. de 2018
- 3 min de leitura

6 de março de 2018: chegou o dia da viagem dos meus sonhos! Amante dos filmes da Disney, finalmente conheceria Orlando. Mãos suando, sorriso no rosto, a mala até que nem estava tão pesada e aquele friozinho na barriga, de ansiedade, me deixa mais feliz. O único pensamento ruim era sobre as aulas que perderia na faculdade.
Avião sobe, tempo de voo: 10 horas. Queria apenas dormir para chegar logo. Mas eu não estava preparada para os seis graus de temperatura que encontrei ao aterrissar. Pensei que esse seria o maior dos meus problemas, mas eis que estava enganada, muito enganada. O engano tinha nome e sobrenome: Imigração de Atlanta.
Mais de duas horas na fila, devido ao sistema que caiu. A fila não andava, o cansaço era grande. A fila anda, a esperança renasce: eu vou conseguir pegar a conexão para Orlando! Depois da entrevista e do carimbo no passaporte, corri, corri como se não houvesse amanhã. Pega mala. Despacha mala. Faltam 20 minutos. Passo pela segurança e finalmente chego ao portão de embarque. Estava vazio, perdi meu voo para Orlando e a euforia foi junto com as malas.
Fui informada de que estava numa lista de “stand by”, ou seja, se tivesse vaga no próximo avião poderia embarcar, então só me restava esperar. Tranquilo, o único problema era: cerca de 30 pessoas perderam o voo e eu era a vigésima-segunda da fila. Corre daqui. Corre para lá... Qual é o próximo portão? Será que tem vaga nesse?
Depois de 10 horas no aeroporto de Atlanta, vagando de portão em portão, esperando uma vaga, finalmente consegui um voo, mas não era para Orlando. O avião iria para Daytona Beach, uma cidade próxima do meu destino final, de onde parti de carro para chegar ao aeroporto de Orlando. Quando achei que o dia estava perto de acabar, a vida riu da minha cara. Achar minha mala não foi tão simples como imaginei, cada vez que eu pedia informação me mandavam para uma ala diferente, andar diferente. A exaustão já estava querendo se manifestar.
Depois de andar quase o aeroporto inteiro, finalmente achei minhas malas. Talvez o desejado descanso não estivesse tão longe assim. Mais uma vez eu estava enganada. As pessoas que eu devia encontrar no aeroporto estavam perdidas. Eu dizia estar em frente a um chafariz, em frente à locadora de carro, eles diziam o mesmo, porém não estávamos no mesmo lugar.
Quase uma hora depois, passando frio, carregando malas, nos encontramos. Ao chegar no condomínio da casa alugada, descobrimos que faltava o número da residência. Bater de porta em porta e testar a senha de segurança em todas elas eram as soluções que minha cabeça exausta conseguia pensar. Uma última olhada na frente da casa. Vamos começar com a primeira. Uma pequena analisada para ter certeza que a casa estava vazia. Digitam a senha, a porta abre. Finalmente cheguei! Só que não...
Precisávamos comprar comida, pelo menos para aquela noite e o café da manhã do dia seguinte. Próxima parada: Walmart. As compras foram rápidas e objetivas, eu não sabia se estava sentido mais sono, fome ou frio. Cheguei à casa, tomei um banho bem quente, comi e respirei. Será que acabou? Finalmente posso dormir? Sim! E confesso: nunca dormi tão rápido. O sonho da Disney ainda estava por começar.

















Comentários